quarta-feira, 7 de abril de 2010

O dilema!





No primeiro dia de aula na faculdade a turma foi informada que teríamos aula com uma professora que viria de fora da cidade e que ela se atrasaria alguns minutos, por isso era pra esperarmos ela chegar dentro de sala de aula. Quando a “tal” professora chegou, como toda boa psicanalista que se preze vestia um terninho muito elegante, bolsa de marca famosa e nenhum fio de cabelo fora do lugar, o pensamento de todos possivelmente assim como o meu viajou – nossa, ser psicóloga vai me dar uma grana lascada – doce ilusão.....bom a professora já chegou perguntando : quem das mulheres é casada? Algumas levantaram a mão timidamente. Soltou então outra pergunta: e quem das mulheres tem namorado? Mais algumas poucas ergueram a mão as mesmas perguntas se repetiram, agora voltadas para os homens e nesse período ainda tínhamos na turma um número considerável de rapazes. Todo mundo se entreolhava curioso com o final daqueles questionamentos. A professora elegantérrima sentou-se sobre a mesa e disparou: MENINAS QUEM NÃO CASAR ATÉ O FINAL DO CURSO NÃO SE CASA MAIS, AGORA OS RAPAZES ESCOLHERAM O CURSO CERTO, VÃO ESTAR SEMPRE RODEADOS POR MULHERES! Como assim? pensei comigo, o que a profissão, nesse caso, a psicologia, tem haver com isso? Aí como o burburinho foi grande ela resolveu explicar a tal história e começou: vai estar no barzinho tomando o seu uísque, bem resolvida, a moça que é psicóloga e vai chegar um cara para paquerá-la, conversa vai, conversa vem, surgi à pergunta: qual sua profissão? Psicóloga, responde ela toda confiante de si, em dois minutos passa um filme na cabeça do moço que pensa de cara: putz ela está me analisando e com isso ele inventa uma desculpa e vai embora, já com os rapazes a cena muda quando alguma moça se aproxima para paquerá-lo e diz que é psicólogo, pronto, elas já soltam: nossa estava mesmo precisando conversar com alguém, com certeza você irá me entender. Depois dessa história toda as risadas foram geral e os cinco anos da faculdade passaram rápido, alguns casaram nesse tempo, outros descasaram, a maioria desistiu do curso, acredito eu que por falta de condições emocionais pra lidar com todas as patologias emocionais que estudávamos todos os dias, mas o quê maior de tudo isso é o fato da praga do primeiro dia de aula ter colado em mim feito tatuagem. Praga ou não, o negócio é realmente sério. Todas as vezes que eu digo que sou psicóloga para algum rapaz as reações são diversas, já tiveram aqueles que realmente fugiram no minuto seguinte, aqueles que resolvem contar seus problemas ali mesmo no barzinho ou numa festa onde a música está estrondosa e normalmente eu não escuto metade do que ele fala, agora o troféu vai mesmo para aqueles que acham que eu sou mulher demais, que eu sou inteligente demais, ganho bem demais, sou independente demais, ou seja um ser de outro planeta....! Brincadeiras a parte, ser psicóloga custa um alto valor, porque os salários não são assim tão altos (ainda não tenho minha bolsa da Gucci ou da Victor Hugo), não frequento o salão três vezes por semana para ter o cabelo impecável, as pessoas a minha volta acreditam piamente que eu sou extremamente bem resolvida e qualquer coisa que fuja disso como ter um ataque de raiva ou de ansiedade alguém já solta a famosa: ué mas você não é psicóloga? Pois é, sou, mas sou humana também! Ao final de tudo isso o que fica de glamour é o que disse uma outra, professora no seu primeiro dia de aula também, professora essa que era uma sumidade de inteligência, mas um “ser” normal, com roupas normais, cabelo normal, bolsa que a gente compra na Marisa mesmo, SER PSICOLOGA NÃO É PRA QUALQUER UM, MAS É PRAZEROSO DEMAIS A GENTE PODER AJUDAR AS PESSOAS! E esse é o meu maior pagamento mesmo, como aconteceu agora pouco, encerrando a sessão com os pais de uma criança com depressão que conseguiu superar esse quadro antes de sairmos da sala a mãe disse: Doutora não tem dinheiro no mundo que pague o que você fez pelo meu filho, mas tenha certeza que estará todos os dias em minhas orações! O antídoto pra praga do primeiro ano tá aí....em cada sorriso que eu presencio de um paciente que só sabia chorar quando chegou até mim! E então se conformem, porque eu tenho muito orgulho de ser PSICÓLOGA!

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