sábado, 22 de maio de 2010

Cansei




Entenda de uma vez por todas: eu não agüento mais fingir que não te quero. Cansei de fazer o seu jogo. De fingir que não estou nem aí. De me segurar cada vez que tenho vontade de te ligar pra falar de nada. De fingir que não te vejo toda vez que a gente se encontra por aí sem querer. Quer saber a verdade? Eu gosto de você. E, por mais que doa em mim admitir isso, acho que passou da hora de eu te dizer. Assumo: não sei jogar. Sempre que tento, perco. Sempre que jogo, me jogo. Arrisco. Não sei falar frases pela metade. Não sei gostar pela metade. Não sei estar com alguém pela metade. E muito menos vou aceitar suas metades. Cansei de ser a sua segunda opção. De ser o seu refúgio da madrugada. Cansei de ser a carinha bonitinha que você jura amor eterno. Posso repetir quantas vezes for preciso pra você entender: suas palavras não valem nada. É sua atitude que conta. Se amar for isso, então, vá amar outra mulher. Vá fazer outra de trouxa. Vá jurar amor eterno numa noite e ser visto com outra no dia seguinte. Sinceramente, não entendo. Se me ama, me prove. Coloque seu coração à prova. Porque eu cansei de colocar o meu. Cansei de dar a alma pra bater. Cansei de esperar por seus telefonemas. De esperar por você. De acreditar em você. Você diz que me ama mas nem ao menos me conhece. O que você sabe sobre mim? Meu nome? Meu sobrenome? Que eu gosto de chocolate? Que eu gosto de MPB e rock nacional? Pouco. Você não me conhece. Não conhece meus sonhos. Não esteve no meu passado e é muito provável que não esteja no meu futuro. Sabe de uma coisa? Eu mentia pra você quando me mostrava nem ai. Tudo mentira. Aqui neste corpo, meu bem, tem uma cidadã completa. A mesma cidadã que te abraça e faz carinho no seu cabelo enquanto você dorme. A mesma cidadã que esquenta seu corpo nas madrugadas quando seu celular só precisa discar um número. A mesma cidadã que te atende prontamente de manhã, de tarde e de noite. A mesma cidadã que responde todas as suas mensagens sexta-feira à noite enquanto espera, de você, um convite seu pra sair. A mesma cidadã que finge o tempo todo pra você que não te quer só pra fazer o seu jogo de não-querer. A mesma cidadã que se deixou levar pelo seu papo mole e agora percebe que o mais mole é você. A mesma cidadã que banca a durona do seu lado. A mesma cidadã que nunca vai jogar com você.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Esmaltes e um buraco vazio!




Troco de esmalte duas vezes por semana e quero comprar uma cor nova cada vez que pinto as unhas. E nunca acho a cor certa que estou procurando. Na verdade, troco tanto porque não sei qual cor estou procurando. Ando insatisfeita com esmaltes. Ando insatisfeita com esmaltes, com hidratantes perfumados e comigo mesma. Ando comprando coisas inúteis demais. Comprando coisas demais pra preencher um vazio interno que não precisa de esmalte, de hidratante perfumado ou de nenhuma outra coisa que se possa comprar pela internet.

Dizem que a solidão é o mal do século. Eu concordo. Solidão é ter amigos, ter um namorado, ter uma família linda, ter milhares de admiradores. E não ter a si mesma. Solidão é viver numa sociedade cada vez mais superficial, cada vez mais consumista, que julga as pessoas pela aparência e pelo tanto de dinheiro que elas têm. Solidão é o que move a internet hoje – e sempre. Solidão é a única razão pela qual os Orkuts, Facebooks e Twitters da vida se popularizam cada vez mais. Queremos amigos, queremos mensagens fofas, queremos depoimentos que dizem pro resto do mundo o quanto somos lindos, cheirosos e bem amados. Queremos mostrar fotos das viagens pra Europa, queremos mostrar fotos com trinta amigos diferentes, queremos mostrar foto do namorado novo da semana, queremos mostrar fotos da nova melhor amiga de infância que acabamos de conhecer, queremos que o mundo saiba que somos amados. Queremos admiração. Queremos falar, o tempo todo, que temos amigos, amor e dinheiro. Mostramos (ou, pelo menos, tentamos mostrar) pro mundo que somos a estampa ideal, quando, na maioria das vezes, a viagem pra Europa foi financiada em mil vezes ou foi paga pela empresa, os trinta amigos da foto só são amigos na hora da foto e não são pessoas que se importam de verdade no dia-a-dia. E os novos amores se vão a cada semana.


Queremos ter mil amigos no Orkut, mas não achamos companhia pra assistir um filme no cinema quarta-feira à noite. Queremos nos comunicar com todo mundo do Facebook e “reativar” amizade com pessoas com as quais mal falávamos “oi” dois anos atrás. Damos bom-dia no Twitter (um negócio onde se fala sozinho) e não damos bom-dia pro vizinho no elevador. Adicionamos Deus e o mundo no maldito MSN pra termos companhia e não perder o contato com aquela pessoa tão querida e amada com a qual trocaremos três frases ao longo do ano. Pessoas verdes online com as quais mantemos relações virtuais 24 horas por dia. Tudo muito superficial. Tudo muito virtual. Tudo fruto da nossa maldita carência, tão maldita quanto essas relações virtuais infundadas. Precisamos nos afirmar pro mundo e pra nós mesmos. Precisamos nos encaixar nos padrões atuais de pessoa bem-sucedida e amada pra sermos aceitos.


Mas o vazio está lá. Nas tardes de domingo. Nas compras virtuais cujo encantamento acaba assim que o produto chega à nossa casa. Esperamos encontrar a felicidade no Macbook novo, no celular com mil funções que não toca, nas novas cores de esmalte que são lançadas toda semana, nos hidratantes perfumados, nos xampus caros. Compramos pra ter companhia. Compramos pra preencher um vazio interno. O mesmo vazio que tentamos preencher com amigos virtuais, relacionamentos virtuais e mentiras virtuais. Tapamos o sol com a peneira. Tapamos nossos buracos com relacionamentos que não existem. Despistamos nossa carência aguardando um produto chegar pelo correio. Nos tornamos tão superficiais quanto nossos relacionamentos virtuais. Nos tornamos tão efêmeros quanto os esmaltes da cor da moda. E continuamos nos sentindo vazios. E trocando a cor do esmalte a cada semana.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Esquece eles!!!!





Mulher que não repete não é mulher. Não existe mulher que não se olhe mil vezes antes de sair, não existe mulher que não olhe para o espelho e repita até entrar por osmose: "Eu sou linda, inteligente, simpática e ele foi um imbecil por me perder!" e vamos assumir, por favor, não existe mulher que não precise ouvir quatrozentas e trinta e sete vezes da amiga, da mãe, da tia, da depiladora, da dermatologista, da manicure e de todas as outras mulheres que participam de seu cotidiano que a atual do seu ex não chega a cutícula do dedinho mindinho de seu pé direito. Resumindo: uma tremenda baranga. Você pode gastar todo o seu dinheiro e tempo no salão e ela pode ter aquela cara de: "Acabei de acordar e não estou me importando com o que você acha!", você pode ser a super inteligente e ela pode nem saber qual é a raiz quadrada de 25, você pode ser a morena natural dos cabelos brilhosos e ela a loira artificial ignorando brutalmente a necessidade do retoque na raiz. Você realmente pode ser muito mais bonita que ela mas isso não importa: ele não tá com você, ele tá com a outra. De que adianta você parecer uma artista recebendo o Oscar se o máximo que você recebeu foi um pé na bunda? De que adianta você ser praticamente a versão feminina moderna de Einstein se a burrice dela é afrodisíaco pois ele parece mais inteligente do que realmente é? De que adianta os seus cabelos "propaganda de xampu" se ele gosta mesmo é dos "restos da sobra do bagaço da laranja que já foi chupado pelo cachorro de rua"? Mesmo assim é ela que recebe todos os beijos, abraços e palavras que já foram seus. É ela, não você. Você se tranca no seu quarto e começa a chorar? Você passa milhares de dias cantando: "Deu moleee pra caraaaamba, tremendo vacilão!"? Você pega ódio do mundo e começa a falar que vai virar lésbica ou que nenhum homem presta? Você continua com a obcessão por masoquismo e vigia todos os passos da sanguessuga que tem o "último homem da sua vida?" Ou você (voto nessa opção, hein?) se afoga no brigadeiro de panela? Você não faz nada disso! Isso mesmo, NADA disso! Depois que você contribuir com a tentativa de acabar com a seca no sertão nordestino doando todas suas lágrimas, depois que você jurar mil vezes que nunca mais vai se apaixonar ou nunca mais vai ser idiota, depois que você achar a última estria da outra, depois que você chegar a conclusão que ele beijava mal, não tinha pegada e que no final das contas você nem gostava tanto dele (tudo bem, entendo que seja uma mentirinha por uma causa maior), depois que você comprar o shopping inteiro (inclusive as lojas de chocolate), enfim, depois que você acabar de viver a sua dor, vá viver a sua vida. Por favor, faça um favor pra mim, ou melhor, faça um favor a você: não se apegue ao que já se foi. Não é porque o fio de cabelo dele que com a luz do sol focalizada a 150º oeste incidindo sobre ele era lindo que a sua vida vai deixar de ser linda. Você um dia já esteve no lugar da outra e um dia a outra estará no seu lugar e .. Ah, quer saber? Esquece ele, esquece a outra, esquece tudo! Lembra de você pois foi justamente de você que você se esqueceu. Pois é fofinha, tenho uma péssima notícia para te dar: ele não é o último homem da sua vida, você vai continuar com essa cara de babaca quando se apaixonar e pelas minhas contas engordou no mínimo 4kg por causa de uma mulher que você nem conhece e por um homem que você nem lembra o nome todo. Lave o rosto, estufe o peito, erga a cabeça e ponha a sua vida no lugar de onde nunca deveria ter saído, porém inevitavelmente saiu. Pra todo fim um recomeço. Recomeço, começar de novo. Não disse que mulher que não repete não é mulher

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Você tem msn?




Até entendo que a internet queira modernizar os relacionamentos. Entendo também que toda essa modernidade mudou a forma da gente conhecer novas pessoas e de se relacionar com as que já conhecemos. É lindo. Com um clique, você acha o cara dos seus sonhos, com um clique você arruma um namorado, com um clique você bloqueia malas, ex-namorados e inconvenientes. Tudo muito prático e sem dor de cabeça. Tudo num clique. Ninguém mais precisa dar fora em ninguém, ficar se justificando ou arrumando desculpa pra sumir da vida de ninguém. Nem pra aparecer nela.A pergunta “Você tem MSN?” não é uma frase tão inocente quanto possa parecer. É muito mais moderna do que a antiga “me dá seu telefone?”. A sentença “Me dá seu MSN” é quase uma sentença jurídica a ser cumprida. É um passaporte velado pra vida da outra pessoa. É um “vamos manter contato” ou “a gente pode se falar sem que sua namorada fique sabendo” ou ainda “a gente não se pegou ainda, mas a gente vai se falando que uma hora rola”. Pra alegria dos solteiros e pra infelicidade dos comprometidos.E o tal do Orkut?! Gente! Me explica esses caras que mal falam com você na rua e, no orkut, vêm todo íntimo oooooooooi, lindaaaaaaaaaa. Como assim, cara-pálida??? De onde surgiu essa pseudo-intimidade? No orkut todos são suuuuuuuuuuuuuper amigos de balada, todos têm fotos de viagens inesquecíveis pra Europa ou pra Matão, todo mundo ama todo mundo pra sempre (até que o orkut os separe e a pessoa deleta o perfil e depois volta como se nada tivesse acontecido com o status de: solteiro).Quer saber?! Acredito que a internet um dia vai encher nosso saco. E acho que não demora muito, não. Eu já ando de saco cheio desse faz-de-conta. Dessa realidade virtual nada parecida com a real. Da pseudo-liberdade, pseudo-intimidade, pseudo-realidade. Na vida real, tenho certeza que a namorada dos caras que xavecam as moças no MSN iam ficar putas da vida. Na vida real, as pessoas que você mal cumprimenta não têm tanta liberdade assim pra te chamar de linda. Na vida real, as pessoas comuns não se falam todo-dia-toda-hora. Na vida real, as pessoas nem são tão bonitas assim quanto suas fotos photoshopadas de orkut e MSN. Na real, prefiro a vida real.É muito lindo namorar pela internet, conhecer gente nova e bater-papo com os amigos. Mas ainda não será dessa vez que a vida de carne e osso vai ser deixada de lado. Nada substitui o toque, o cheiro, a pele. Nada como o futebol com os amigos, o calor, o suor e a cerveja gelada. Nada como andar de moto sentindo a liberdade batendo na cara. Nada como sentir o abraço, a respiração, e olhar nos olhos de quem a gente ama. Nada como bater perna no shopping com as amigas sábado à tarde, ver o pôr-do-sol na praia e amanhecer na rua depois de uma balada daquelas. Nada como o gosto da sobremesa e do beijo. Nada como assistir tv com o namorado domingo à noite debaixo do edredom. Nada como um lanche despretensioso no meio da tarde pra bater papo sem ter que digitar. Nada como o tom da voz pra dizer que ama. Nada como viajar pra praia e lembrar que existe vida após a internet. Nada como desligar o computador no final do dia e cair na real. Nada como a vida real. Tudo por uma vida mais real.