quarta-feira, 27 de abril de 2011



Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar. Não pretendo mais sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade. Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você. Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína. Do cheiro que se fez lança-perfume. Deveria ter uma tabela antipaixão como as que fizeram para os tabagistas. Marcaríamos um xis nas vezes em que pensássemos no outro. Assumindo assim nossa fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer. Poucas, no meu caso, já que tudo me lembra você. E de noite as coisas pioram. Mas quero, e posso, vencer essa semana. Sobreviver à abstinência de você por sete dias. Ao éter da mentira, que deixou-nos malucas e cegas. Estávamos correndo descalças entre os destroços da cidade grande. Seremos crianças? Seremos julgadas como adultas. Sendo a culpa toda sua, que acreditou no ar que respirava. No sujo. Na inveja. Perdemos tudo na paisagem desolada dessa cidade. Cidade feia. E, no feio, nos perdemos. Ou me perdi. Sozinha. Para depois ficar aqui, sentada no meio-fio.
Eu? Eu não sou somente boa. Sou uma pessoa muito bonita. Generosa e linda – e quem agüentar, agüentou. Como prêmio, terá meu amor. Saberá da minha verdade. Dará boas gargalhadas. Mas terá que suportar uma boa dose daquilo que sinto. Pois, apesar de tudo ser diversão, nada é simples. Nada é pouco quando o mundo é o meu.
No meu mundo, eu não sei onde andam aqueles, “os melhores”, que bebem bons vinhos e saboreiam trufas. Queria saber se eles sentem, vagamente, pode ser vagamente mesmo, uma pontinha de nojo, ou de tristeza, porque vivem intensamente a baboseira dos vinhos e trufas, sem pensar em mim, nem querer estar comigo, nem com qualquer outra pessoa que não entenda picas de vinhos e tenha mais o que fazer do que pagar fortunas por lascas de fungo.
Fernanda Young

terça-feira, 26 de abril de 2011



Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.”
Caio F. Abreu


Abandone os antes.
Chame do que quiser.
Mas venha.
Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates.


C.F.A


Complicados Demais
Paula Fernandes
Composição : Paula Fernandes

Se algum dia algo te lembrar
E a emoção tocar inteira a face do teu rosto
Não se envergonhe em dizer
Que o ciúme levou teu amor
E te afastou de vez de minha voz o teu silêncio
Não me deixou opção
Acreditei na força do teu querer
Mas o ciúme foi maior que você
Ressentimentos cegou minha visão
Aquele amor virou antiga paixão
Te aceito assim, complicado demais
Também sou assim, complicada demais
E já faz tempo que o tempo parou
Não envelheço a espera do teu amor

Se nos sentimos como a terra e o mar
E o desamor desfez um sonho lindo
Desse jeito feito uma nuvem no céu
Eu não queria mesmo acreditar
Que o ser humano tão sereno fosse assim
Um oposto afim de causar confusão
Eu estarei aqui esperando você
Se redimindo do teu erro pra ver

Teus olhos rasos decidido a voltar
Sem ter ciúme vem pra mim vem me amar
Te aceito assim, complicado demais
Também sou assim, complicada demais
E já faz tempo que o tempo parou
Não envelheço a espera do teu amor